Hoje, por volta de 17:15 da tarde, peguei o carro e dirigi até a praia mais próxima de minha casa. Precisava refletir e ir à um lugar onde pudesse me sentir mais ligado com a natureza, a praia sem dúvidas foi a melhor escolha. Chegando lá, tirei as minhas sandálias, as coloquei em minhas mãos e caminhei pela areia. A praia estava tranquila, poucas pessoas e apenas algumas crianças brincando de castelo. Olhando para elas, lembrei da minha infância e de como naquela época tudo era mais fácil, não existia responsabilidades, não existia cobrança, a vida era leve e solta. Lembrei como era bom, quando minha única obrigação era guardar os brinquedos depois de um dia exaustivamente divertido.
Mas chega um momento na vida que as responsabilidades são necessárias e até mesmo inevitáveis. Vem os estudos, o trabalho, os filhos, o peso de tudo que nos envolve. Lembrar da infância pode ser um consolo, mas hoje preferi por instantes imaginar o meu futuro, o meu próximo passo, o meu próximo ano.
A praia foi ficando vazia e a sensação foi de solidão, mas foi dessa forma, que pude vislumbrar por alguns instantes o futuro. Me imaginei casado e vivendo um lindo amor; Imaginei meus futuros filhos correndo pela casa, me chamando de "papai" e pedindo para que eu brincasse com eles; Imaginei um bom emprego em um grande escritório e uma casa bem confortável. Imaginei meus pais, e foi nessa hora que a garganta deu um nó.
Imaginar o futuro sem meus pais, naquela tarde, me trouxe uma inexplicável tristeza. A minha visão embaçou por causa das lágrimas e meu coração confirmou, como em alta voz, "ame quem faz feliz o seu presente". Naquele momento, percebi que o futuro pode ser lindo e que o passado pode ser uma grande lição, mas é o presente que precisa ser valorizado, o agora, essa hora, esse minuto, esse instante. Afinal, nunca saberemos, até quando, as pessoas que amamos estarão aqui.
Voltei para casa e já tinha anoitecido. Abri lentamente a porta, e encontrei meus pais na sala. Os dois estavam juntinhos e se aqueciam em um único cobertor. Estavam assistindo um programa de perguntas e respostas, mas não se desgrudavam, o relacionamento ainda estava efervescente como na época do namoro. Estava ali na minha frente, o maior exemplo para o meu futuro e para o meu relacionamento. Eles resistiram as amargas lições da vida e ainda se amavam, eram simplesmente felizes. Naquela noite, decidi não sair. Dei um beijo carinhoso na testa dos dois, e sentei no meio deles, como nos tempos de criança. Assisti aquele programa chato, mas isso pouco importava, a presença deles era a cereja do bolo. O sorriso dos dois, provava a falta que momentos como esse fazia. Não sei até quando eles estarão aqui, mas sei que a vida é brisa, e não reprisa o que já se foi.

Nenhum comentário:
Postar um comentário